Em
defesa do pentecostalismo
Por: Pastor Anderson de Paula
Revisão: Plabyo Geanine
Revisão: Plabyo Geanine
![]() |
Nunca a
teologia pentecostal sofreu tantos ataques como tem acontecido nos últimos
anos. O texto que escrevo, o fiz em resposta a um site presbiteriano, o qual se
intitula Igreja Presbiteriana do Piaui.
Em
primeiro lugar, quero falar de algo que me chamou a atenção em uma rede social,
onde um rapaz de uma igreja tradicional e calvinista postou a seguinte imagem:
Essa
imagem passa a mensagem de que nós pentecostais não somos bíblicos, e que o
pentecostalismo deve ser combatido. O referido blogger é da igreja
Presbiteriana do Piauí, o qual traz o símbolo da folha, que faz alusão à cidade
de Genebra, lugar em que Calvino era pastor e mandava mais do que o prefeito da
cidade. Foi ali que Calvino mandou queimar Serventus na fogueira, sobre a
acusação de não aceitar o infanto batismo como prova de que uma pessoa é
eleita. O interessante é que o referido blogger não fala nada sobre isso!
Eu
poderia provar que Lutero e Calvino não reformaram a igreja sozinhos, apenas
levaram os créditos (não estou dizendo com isso que não fizeram nada). Porém,
não vou me ater aqui, mas ao ataque que esse blogger fez ao pentecostalismo, o
qual trataremos a partir de agora.
O
blogger em questão levanta quatro críticas contra o pentecostalismo.
1°
crítica
"Agora,
se os nossos amigos pentecostais confessam conosco a magnitude deste dom de
justificação, por que eles falam sobre a experiência de ser batizado no
Espírito, como se isso fosse algo mais alto e melhor do que o que todo crente
em Jesus já possui?"
Essa
é uma total incompreensão do que o pentecostalismo ensina.
Não
ensinamos que o batismo com o Espirito Santo ou segunda experiência (como os
pioneiros pentecostais o chamavam), é maior que a conversão a Cristo. O batismo
com o Espirito é uma experiência que qualquer cristão pode alcançar, se buscar
com todo o coração. Entretanto, afirmo: quem ainda não o tem, mas aceitou a
Jesus com todo o coração, vai morar com Cristo no céu.
A
palavra de Deus nos ensina que a salvação é dada ao que livremente crê em
Cristo, e o batismo com o Espirito Santo - que vem acompanhado dos dons - é
para o benefício da igreja, como Paulo ensina em Coríntios 12.
Portanto,
acreditamos que o batismo no Espirito é para os salvos, e cremos que em nada
ele é maior que a conversão.
Em
seguida, citam Efésios 1.13-14:
"Em
quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho
da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito
Santo da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da
possessão adquirida, para louvor da sua glória."
O
blogger acrescenta:
"A
experiência interior é como uma concha pequena segurando um pouco desta água.
Um dom que pode ser reduzido à dimensão da experiência de um pecador mortal não
é um grande dom de forma alguma."
O
quê? Existe dom dado por Deus que seja pequeno? Acaso a cura divina, a
profecia, a revelação e outros dons são pequenos? Será que o cego Bartimeu, que
foi curado por Jesus, teve uma experiência pequena?
O
referido blogger se contradiz com essas palavras, pois a conversão é uma
experiência pessoal com Deus! Seria isso pequeno?
2°
crítica
"Quando
o Pentecostalismo ensina uma experiência religiosa após a justificação e
conversão, isso implica que o dom gratuito da justiça de Cristo ao crente não é
suficiente para trazer o enchimento, ou batismo, do Espírito Santo."
Esse
comentário é uma asneirar e total falta de conhecimento da teologia
pentecostal! A pessoa convertida tem
o Espirito Santo, porém, como nos ensina Paulo em 1 Coríntios 12.31, os dons
são para as pessoas que os buscam com zelo.
"Portanto,
procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais
excelente."
Depois
disso, o Blogger segue (após postar vários textos sobre conversão e
justificação, tentando levar o leitor a achar que não cremos que o
Espirito Santo é necessário para a conversão ou que quem se converte não tem o
Espirito Santo):
"Uma
justificação diante de Deus que não traz o Espírito Santo abundantemente (Tito
3:5-8) não é uma justificação de forma alguma, e não mereceria que se falasse
sobre ela — o qual é geralmente o caso entre os entusiastas carismáticos."
O
texto de citado diz o seguinte:
"Não
pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia,
nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo,
Que
abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo nosso Salvador;"
Tito 3.5-6
O
texto está falando da salvação, e realmente Deus derramou do seu Espirito
abundantemente sobre os que livremente aceitam Jesus. Contudo, como já citei
acima, a Bíblia nos ensina que devemos buscar com zelo os dons; cremos que quem
aceita a Cristo tem o Espirito de Deus.
3°
crítica
"
Se a recepção da justiça imputada pela fé somente não traz com ela o abundante
dom do Espírito, outros passos ou técnicas devem ser utilizados para se obter
“o melhor do céu”. Aqui a porta está aberta para um novo tipo de legalismo. As
pessoas tornam-se obcecadas por receber o Espírito por seus próprios atos de
“entrega absoluta”, “dedicação total”, “erradicação de si mesmo” ou “colocar
Jesus sobre o trono de sua vida”. A atenção é tirada da mensagem do Evangelho
de que Cristo realmente obteve o Espírito para o crente por Seus próprios atos
de entrega absoluta, dedicação total, e pela aniquilação do pecado que
aconteceu no Calvário (Atos 2:33; Gálatas 3:13,14; João 7:38,39).
Paulo
lembra aos gálatas insensatos que o Espírito veio (Gálatas 3:2) e continua a
ser dado abundantemente (Gálatas 3:5, tradução literal) pelou ouvir da fé. A
pregação do evangelho é a proclamação de como o Espírito vem ao homem pelos
atos conquistadores de Jesus em favor do homem. O “galatianismo” proclama como
os homens podem ganhar o Espírito."
O
interessante é ele usar a palavra "legalismo" e citar Gálatas, igreja
que Paulo repreendeu por colocarem algo a mais para a salvação além de Cristo.
Como todos sabemos, legalismo é colocar algo além de Cristo para a salvação. Nós, pentecostais, como já
expliquei, não dizemos que para sermos salvos precisamos receber essa segunda experiência
ou batismo com o Espirito, basta apenas crer em Cristo.
Vejo
que ele tenta passar a sua asneira teológica neste ponto dizendo que queremos
receber por nossos méritos. Isso é uma besteira sem tamanho. Deus estabeleceu
que a salvação seria através de Cristo, e isso de uma maneira sinergética: Deus
capacita o homem a responder ao chamado do Evangelho de maneira que, se o homem
nega, o faz por responsabilidade própria, e se aceita, aceita pela graça de
Deus. Portanto, Deus respeita a livre vontade do homem. Com os dons são da
mesma maneira: quem os buscar com zelo, sendo obediente a Deus, receberá essa
grande dádiva.
4°
crítica
O
Blogger faz uma das coisas mais ridículas neste quarto ponto.
“A
preocupação esmagadora do Pentecostalismo é a vida interna do crente. Seu
testemunho predominante é à experiência interna do Espírito, antes do que à
ação histórica de Deus em Jesus Cristo. Por esta razão, a espiritualidade
Pentecostal está em harmonia fundamental com a espiritualidade Católica
Romana.O Pentecostalismo tem sido capaz de construir uma ponte entre o abismo
que existe entre o Romanismo e o Protestantismo apóstata, mas o trânsito ao
longo desta ponte é principalmente num sentido. Toda experiência religiosa que
é uma negação da justificação pela fé somente encontra sua morada em Roma.”
Não
existe nada de igual entre pentecostalismo e romanismo! Essa é uma acusação
infundada!
Nós
pentecostais não batizamos crianças, não cremos em santos, não adoramos Maria, não
acreditamos em purgatório, não cremos que salvação só existe na igreja católica
e não acreditamos na infalibilidade papal.
Cremos
que, para a pessoa ser batizada, deve crer primeiro, que só Cristo é Santo e Salvador,
que a adoração é somente à Deus e que unicamente a Escritura é a verdade e
nunca falha!
Cremos
que Deus quer salvar a todos e que ama a todos, cremos que Deus chama o pecador
ao arrependimento através da sua graça preveniente. Cremos em eleição por
presciência, e cremos que o homem não pode chegar a Deus por seus próprios
esforços. Cremos que a graça capacita o homem para responder ao Evangelho, e
que Deus soberanamente decidiu salvar os que não resistem à Sua graça.
Enfim,
não temos ponte alguma com os de Roma.
Considerações
finais
O
texto do referido Blogger tem sua origem no site monergismo, e isso é
lamentável, pois mostra que o dono não sabe criar argumentos e precisa copiar e
colar dos outros. Nunca vi tanta mentira em um só lugar.
Esse
texto-resposta que escrevi é para apontar os ataques calvinistas a nós,
pentecostais, e mostrar que esse bla, bla e bla de nos considerar irmãos é um
plano para proselitar nossas igrejas, nos afastando do que cremos e confessamos
como fé.
Paz
a todos.

