segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Em defesa do pentecostalismo

                                             Em defesa do pentecostalismo

Por: Pastor Anderson de Paula
Revisão: Plabyo Geanine



Nunca a teologia pentecostal sofreu tantos ataques como tem acontecido nos últimos anos. O texto que escrevo, o fiz em resposta a um site presbiteriano, o qual se intitula Igreja Presbiteriana do Piaui.

Em primeiro lugar, quero falar de algo que me chamou a atenção em uma rede social, onde um rapaz de uma igreja tradicional e calvinista postou a seguinte imagem:

                                                       

Essa imagem passa a mensagem de que nós pentecostais não somos bíblicos, e que o pentecostalismo deve ser combatido. O referido blogger é da igreja Presbiteriana do Piauí, o qual traz o símbolo da folha, que faz alusão à cidade de Genebra, lugar em que Calvino era pastor e mandava mais do que o prefeito da cidade. Foi ali que Calvino mandou queimar Serventus na fogueira, sobre a acusação de não aceitar o infanto batismo como prova de que uma pessoa é eleita. O interessante é que o referido blogger não fala nada sobre isso!

Eu poderia provar que Lutero e Calvino não reformaram a igreja sozinhos, apenas levaram os créditos (não estou dizendo com isso que não fizeram nada). Porém, não vou me ater aqui, mas ao ataque que esse blogger fez ao pentecostalismo, o qual trataremos a partir de agora.

O blogger em questão levanta quatro críticas contra o pentecostalismo.

1° crítica

"Agora, se os nossos amigos pentecostais confessam conosco a magnitude deste dom de justificação, por que eles falam sobre a experiência de ser batizado no Espírito, como se isso fosse algo mais alto e melhor do que o que todo crente em Jesus já possui?"

Essa é uma total incompreensão do que o pentecostalismo ensina.
Não ensinamos que o batismo com o Espirito Santo ou segunda experiência (como os pioneiros pentecostais o chamavam), é maior que a conversão a Cristo. O batismo com o Espirito é uma experiência que qualquer cristão pode alcançar, se buscar com todo o coração. Entretanto, afirmo: quem ainda não o tem, mas aceitou a Jesus com todo o coração, vai morar com Cristo no céu.

A palavra de Deus nos ensina que a salvação é dada ao que livremente crê em Cristo, e o batismo com o Espirito Santo - que vem acompanhado dos dons - é para o benefício da igreja, como Paulo ensina em Coríntios 12.

Portanto, acreditamos que o batismo no Espirito é para os salvos, e cremos que em nada ele é maior que a conversão.

Em seguida, citam Efésios 1.13-14:

"Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória."

O blogger acrescenta:

"A experiência interior é como uma concha pequena segurando um pouco desta água. Um dom que pode ser reduzido à dimensão da experiência de um pecador mortal não é um grande dom de forma alguma."

O quê? Existe dom dado por Deus que seja pequeno? Acaso a cura divina, a profecia, a revelação e outros dons são pequenos? Será que o cego Bartimeu, que foi curado por Jesus, teve uma experiência pequena?

O referido blogger se contradiz com essas palavras, pois a conversão é uma experiência pessoal com Deus! Seria isso pequeno?

2° crítica

"Quando o Pentecostalismo ensina uma experiência religiosa após a justificação e conversão, isso implica que o dom gratuito da justiça de Cristo ao crente não é suficiente para trazer o enchimento, ou batismo, do Espírito Santo."

Esse comentário é uma asneirar e total falta de conhecimento da teologia pentecostal! A pessoa convertida tem o Espirito Santo, porém, como nos ensina Paulo em 1 Coríntios 12.31, os dons são para as pessoas que os buscam com zelo.

"Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente."

Depois disso, o Blogger segue (após postar vários textos sobre conversão e justificação, tentando levar o leitor a achar que não cremos que o Espirito Santo é necessário para a conversão ou que quem se converte não tem o Espirito Santo):

"Uma justificação diante de Deus que não traz o Espírito Santo abundantemente (Tito 3:5-8) não é uma justificação de forma alguma, e não mereceria que se falasse sobre ela — o qual é geralmente o caso entre os entusiastas carismáticos."
O texto de citado diz o seguinte:
"Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo,
Que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo nosso Salvador;" Tito 3.5-6

O texto está falando da salvação, e realmente Deus derramou do seu Espirito abundantemente sobre os que livremente aceitam Jesus. Contudo, como já citei acima, a Bíblia nos ensina que devemos buscar com zelo os dons; cremos que quem aceita a Cristo tem o Espirito de Deus.

3° crítica

" Se a recepção da justiça imputada pela fé somente não traz com ela o abundante dom do Espírito, outros passos ou técnicas devem ser utilizados para se obter “o melhor do céu”. Aqui a porta está aberta para um novo tipo de legalismo. As pessoas tornam-se obcecadas por receber o Espírito por seus próprios atos de “entrega absoluta”, “dedicação total”, “erradicação de si mesmo” ou “colocar Jesus sobre o trono de sua vida”. A atenção é tirada da mensagem do Evangelho de que Cristo realmente obteve o Espírito para o crente por Seus próprios atos de entrega absoluta, dedicação total, e pela aniquilação do pecado que aconteceu no Calvário (Atos 2:33; Gálatas 3:13,14; João 7:38,39).

Paulo lembra aos gálatas insensatos que o Espírito veio (Gálatas 3:2) e continua a ser dado abundantemente (Gálatas 3:5, tradução literal) pelou ouvir da fé. A pregação do evangelho é a proclamação de como o Espírito vem ao homem pelos atos conquistadores de Jesus em favor do homem. O “galatianismo” proclama como os homens podem ganhar o Espírito."

O interessante é ele usar a palavra "legalismo" e citar Gálatas, igreja que Paulo repreendeu por colocarem algo a mais para a salvação além de Cristo. Como todos sabemos, legalismo é colocar algo além de Cristo para a salvação. Nós, pentecostais, como já expliquei, não dizemos que para sermos salvos precisamos receber essa segunda experiência ou batismo com o Espirito, basta apenas crer em Cristo.

Vejo que ele tenta passar a sua asneira teológica neste ponto dizendo que queremos receber por nossos méritos. Isso é uma besteira sem tamanho. Deus estabeleceu que a salvação seria através de Cristo, e isso de uma maneira sinergética: Deus capacita o homem a responder ao chamado do Evangelho de maneira que, se o homem nega, o faz por responsabilidade própria, e se aceita, aceita pela graça de Deus. Portanto, Deus respeita a livre vontade do homem. Com os dons são da mesma maneira: quem os buscar com zelo, sendo obediente a Deus, receberá essa grande dádiva.

4° crítica

O Blogger faz uma das coisas mais ridículas neste quarto ponto.

“A preocupação esmagadora do Pentecostalismo é a vida interna do crente. Seu testemunho predominante é à experiência interna do Espírito, antes do que à ação histórica de Deus em Jesus Cristo. Por esta razão, a espiritualidade Pentecostal está em harmonia fundamental com a espiritualidade Católica Romana.O Pentecostalismo tem sido capaz de construir uma ponte entre o abismo que existe entre o Romanismo e o Protestantismo apóstata, mas o trânsito ao longo desta ponte é principalmente num sentido. Toda experiência religiosa que é uma negação da justificação pela fé somente encontra sua morada em Roma.”

Não existe nada de igual entre pentecostalismo e romanismo! Essa é uma acusação infundada!

Nós pentecostais não batizamos crianças, não cremos em santos, não adoramos Maria, não acreditamos em purgatório, não cremos que salvação só existe na igreja católica e não acreditamos na infalibilidade papal.

Cremos que, para a pessoa ser batizada, deve crer primeiro, que só Cristo é Santo e Salvador, que a adoração é somente à Deus e que unicamente a Escritura é a verdade e nunca falha!

Cremos que Deus quer salvar a todos e que ama a todos, cremos que Deus chama o pecador ao arrependimento através da sua graça preveniente. Cremos em eleição por presciência, e cremos que o homem não pode chegar a Deus por seus próprios esforços. Cremos que a graça capacita o homem para responder ao Evangelho, e que Deus soberanamente decidiu salvar os que não resistem à Sua graça.
Enfim, não temos ponte alguma com os de Roma.


 Considerações finais

O texto do referido Blogger tem sua origem no site monergismo, e isso é lamentável, pois mostra que o dono não sabe criar argumentos e precisa copiar e colar dos outros. Nunca vi tanta mentira em um só lugar.

Esse texto-resposta que escrevi é para apontar os ataques calvinistas a nós, pentecostais, e mostrar que esse bla, bla e bla de nos considerar irmãos é um plano para proselitar nossas igrejas, nos afastando do que cremos e confessamos como fé.


Paz a todos.